Palco ou não.
Certa vez, ouvi em um programa de rádio um humorista falando muito sério que existiam dois tipos de pessoas no mundo: as que estavam no palco e as que não estavam. Fiquei com essa frase, esse pensamento como uma pulga atrás da orelha. E pensando bem, refletindo profundamente é uma verdade o que ele falou. Tem pessoas que vivem e outras que existem como já dizia Charles Chaplin. Nós, grandes seres racionais, podemos ser o que quisermos. Podemos apenas fazer o abc da vida ou fazer o próprio show, não ficar apenas olhando pro show dos outros. O abc da vida seria ser mais um no mundo, não fazer nada de diferente, não fazer nada que os outros também não façam. E eu tenho medo de ser mais um nesse imenso mundo. Estar no palco é ter a certeza que você está contribuindo de alguma forma para a vida de outras pessoas. Estamos sempre querendo fazer mais. Estamos atrás do famoso reconhecimento. Muitos podem negar, mas quem não quer que seu trabalho seja reconhecido, que seu trabalho seja considerado diferencial. Não podemos ter certeza de nada. Só temos certeza do fim. O palco é para poucos, e poucos são os que têm talento para tal. Estar no palco é fazer o melhor possível em qualquer área de trabalho, em qualquer ação que melhore a sua vida e a vida do próximo. Isso que chamo de estar no topo. Estar sempre no palco. Fazer um show com casa lotada é ter pessoas que lhe admiram por sua dignidade e por sua conduta como ser humano. Temos que apresentar o espetáculo da vida diariamente e, melhor ainda, com todos os ingressos vendidos. Não deixar nenhum legado é um medo recorrente meu. Não quero estar velhinho, com minha mulher, com meus filhos e, talvez, netos e não ter dito ou feito nada de novo para os outros seres racionais. Por isso, vamos montar logo o palco que o show tem que começar.

