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Archive for abril \19\UTC 2009

Mesma situação.

Domingo, 19 de abril de 2009 Deixar um comentário

Um amigo-colega, fingindo estar distraído, aproximou-se de mim.

Depois de uma breve hesitação, ele me perguntou: “como você tá?”

Respondi tranquilo: “Como alguém que acordou de manhã e não sabe se estará vivo no final do dia”.

“Mas isto não é nenhuma novidade”, falou o colega. “Afinal, todos os seres humanos se encontram nesta mesma situação”.

“Sim”, eu disse e completei: “Mas quantas pessoas neste mundo se dão realmente conta disto?”.

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Fernando Fleck por Breno Magalhães.

Domingo, 19 de abril de 2009 Deixar um comentário

Escrever sobre uma pessoa é muito difícil. Escrever sobre um amigo que está presente em sua vida é muita pressão. Mas escrever sobre seu melhor amigo que você tinha contato desde a 3ª série do ensino fundamental é uma dor imensa, principalmente porque ele não está mais ao meu lado, ele não está mais ao lado das pessoas importantes e queridas que o amavam e ainda o amam com todo o sentido e emoção que essa palavra que nos dá sentido viver pode dar.

Não dá para não se emocionar ao escrever sobre um amigo de tamanho coração gigante e quente. É difícil imaginar e ter até a certeza que como nós falávamos na época dos bons frutos que a gente conhecia mais o outro do que os próprios pais, do que a própria família. E isso não tem preço. E nunca vai ter. Aquelas situações que bastava um olhar para saber o que o outro estava sentindo e até pensando, as piadas ímpares que faz tempo que não as tenho e faz tempo que não encontro uma pessoa com tamanho humor fino e sagaz.

Precisar de um amigo? Bastava uma ligação. Não existia horário, não existia tempo cronológico, só existiam as horas do coração, e estas são infinitas, infinitas como o colar que uso no pescoço. Uma vida de estudo, amizades selecionadas e bom-humor. Nesse sábado, para escrever sobre meu irmão, já em outro caminho, fiz questão de olhar a lua antes, que por sinal está linda e cheia, e ter a certeza que as ruas estariam desertas, pois esse momento é meu e ninguém tira. Sou egoísta nesse ponto. Não quero dividi-lo com ninguém.

Cheguei de um bar com alguns ilustres desconhecidos, bebi minha famosa caipirinha com bastante açúcar e limão tomado em um canudo. Traguei algum veneno como me suicidando aos poucos e respirei para chegar e escrever o meu melhor. O meu melhor sobre o meu melhor amigo de todos os tempos. De toda a vida.
Certeza vez, um grande poeta citou: “que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental”, então eu escrevo: “que me desculpem os outros amigos, mas Fernando é fundamental”.

Poderia passar minutos, horas, dias, meses, anos, séculos escrevendo sobre esse homem lindo que me caiu do céu e o tal me levou, mas não preciso. Jamais vou falar como ele morreu, mas sim como viveu. Lua cheia, madrugada silenciosa e ruas vazias. Tudo que eu precisava.

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Observar.

sábado, 18 de abril de 2009 Deixar um comentário

Certa vez, um colega se aproximou de mim e perguntou por que eu era sempre calado e parecia que ficava observando as outras pessoas.

Rapidamente, quase sem pensar, respondi: “Porque gosto mais de ouvir do que falar e segundo porque gosto de saber antes com quem vou criar amizades”.

O colega replicou: “Mas como você vai poder distinguir as verdadeiras intenções das pessoas ao se aproximarem?”

Respondi também quase sem pensar: “sempre procurei manter uma atitude humilde e submissa. Alguns procuravam se aproveitar disto, eu então me afastava deles. Outros me olhavam como se eu fosse um verdadeiro santo, e eu me afastava deles ainda mais rápido. Assim, ficaram ao meu lado apenas os que me viam como uma pessoa igual a eles”.

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Infinito.

sexta-feira, 17 de abril de 2009 Deixar um comentário

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Recomeçar.

sexta-feira, 17 de abril de 2009 Deixar um comentário

Refletir sobre a vida é algo comum. Pensar que temos que pensar para viver e sobreviver é bastante comum. Mas refletir sobre um recomeço é brilhante e poder fazer é mais ainda. Não tenho muita experiência de vida, mas recomeçar é acordar diariamente e enfrentar o mundo, enfrentar as adversidades que estamos acostumados. Recomeçar é também ter a certeza que coisas boas virão e que a qualquer minuto você pode se sentir, como dizem, nas nuvens.

Nesses dias, tive que recomeçar como muitas outras pessoas também recomeçam dia-a-dia. Não tem coisa melhor do que passar uma borracha em um período que não foi lá esses agrados todo pra você e nem pra outros. A sensação é de estar nascendo de novo e, com isso, ter que tentar recuperar tudo, ou seja, o pouco, que você conseguiu. A vida ensina muitas coisas, dá muitos empurrões, mas muitos abraços e beijos também. A vida é como se fosse uma pessoa que você tem que se relacionar a cada dia e cada vez melhor. Tem dias que você briga com a vida, têm outros que a vida briga com você, mas no final tudo se ajeita como dizem os mais otimistas.

É essencial ter esse jogo de cintura com ela, pois é praticamente um jogo de vida ou morte. Acho eu, que nós não devemos torná-la muito simples, pois seria muito sem graça, mas temos que tentar fazer sempre valer a pena, fazer com que seja digna de se viver, digna de ser a nossa melhor amiga. Não acho também que a vida é só aqui, é só essa. Estamos aqui, de mãos dadas com a vida para aprender o básico do básico. Aprender a ser bom. Digo bom um com os outros, e principalmente com nós mesmos. Temos que sempre nos aprimorar, acho que estamos sempre sendo testados pela Sra. Vida, e como em um jogo: não podemos nunca desistir.

Recomeçar aprendendo com seus erros, aprendendo com nossos infelizes impulsos é uma benção da força superior, pois já que podemos dar um “reset”, por que não fazê-lo bem e, agora, com mais experiência. É claro.
Como uma pessoa muito ilustre e importante diz: “passa”. Esta é uma palavra, em certas ocasiões, de ouro.

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Perdas e ganhos.

Terça-feira, 14 de abril de 2009 Deixar um comentário

Venho hoje, desconhecido leitor, a escrever sobre uma sensação muito esquisita, uma sensação humana, mas com profundas frestas no coração. Esse sentimento é uma mistura de perda e ganho. Uma mistura também de ter razão e perder a razão.

Sabe quando você quer algo que lhe parece muito importante para sua vida. Algo que você não tira da cabeça até conseguir tal objetivo ou, nos mais tristes casos, não dar nada certo e estragar tudo. Acabar ganhando o nada. Você acaba ganhando a perda. E você acaba ganhando junto à perda da razão. O sentimento é de um vazio enorme. É horrível se sentir a pior das piores pessoas do mundo. E é desse jeito que estou escrevendo para os senhores e senhoras, os poucos fieis leitores de minhas baboseiras.

Ganhei perdas e na perda perdi a razão. Mas acontece com o mais equilibrado e sensato monge, imagine comigo, um poço de dúvidas, um poço de incertezas, um poço com um pouco de tudo. Estraguei tudo, mas foi com as mais belas e puras intenções. Isso eu posso dizer cegamente. Tal caso aconteceu, pois a morte já me bateu a porta três vezes, e vi, senti e cheirei que não temos tempo a perder. Se você quer algo, que você tem certeza do que quer e que poder fazer todos felizes, então faça. Eu sigo esta regra, pois não quero deixar para outra vida o que pode acontecer hoje, ou no máximo amanha. Não sei.

Só o que posso dizer, ou melhor, escrever é que tais presságios com a morte estão me cegando mentalmente. Deixar para depois ficou um martírio sem tamanho. Para mim, ela pode me pegar a qualquer momento. Então, como um cego, não posso esquecer minha bengala. Tenho que ter certeza das coisas o mais rápido possível. Não que isso seja uma verdade, mas, infelizmente, é uma busca diária. Cada dia é um leão que aparece. Cada dia é como se eu tivesse que falar bem alto ao acordar: “Mais um dia!”. Mas que ótimo que Ela não me levou ainda, e com alguns centésimos de segundos restantes de vida, posso aprender e viver mais e mais.

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Geraldo Olívio Magalhães.

sábado, 11 de abril de 2009 Deixar um comentário

Escrever sobre um homem é difícil e sempre se deve ter muita cautela. Agora, escrever sobre o homem precisa-se de mais responsabilidade ainda. O homem que vos falo, que vos escrevo, que vos caracterizo, não é um simples avô de um menino mimado qualquer. Ele é mais do que qualquer pai também. É um poeta da vida. É um educador. É um professor urbano e rural. É um amigo que parece querer descansar.

Nesta sexta-feira santa, busquei um abrigo emocional ficando na quietude do meu humilde lar. Tive o prazer de receber a ilustre visita desse coronel, como eu e meu amigo-irmão, acostumamos o tratar. Não peguei em sua mão, mas sim dei um beijo sem pensar em sua cabeça com seus cabelos brancos lisos. Um gesto que não me lembro de ter feito. Estou começando a notar que o ócio da aposentadoria é uma trilha para o envelhecimento precoce, para o desabrochar dos medos, para a hipocondria. Tempo demais para pensar quando não se pode. Quando se deve fazer, agir. Mais uma sexta-feira santa. Será santa mesmo? Ou virou apenas mais um motivo para não se trabalhar.

A depressão impregnada na farda do coronel estava irradiando tristeza. Tentar falar até de futebol, o amor da nossa infância, foi em vão. O coronel está abatido, como se estivesse perdido a guerra. Ou perdendo. Tanto faz. Penso em como aproveitar o tempo que não sabemos. Penso quando for a minha vez. Penso no que ele pensa. Será que se arrepende de algo? Será que quer falar, gritar, grunhir com alguém, e nesta altura da vida e experiência pode estar com vergonha? Penso em tudo. Mas são pensamentos em vão. O coronel é forte. É da velha-guarda! Aguenta. Luta. Mas o brilho do olhar está se esvaindo.

Sou muito parecido com o homem. Trajetória é vida. Vida é trajetória. Será que serei digno de ser um coronel como o coronel.

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Próximo minuto.

sexta-feira, 10 de abril de 2009 Deixar um comentário

Quinta-feira, as 01h30min da madrugada, um filme passou pela a cabeça chata e nociva deste homem que escreve para você. Foi uma quarta-feira de ouro que iria terminar em barro.

As férias da escola na casa dos meus avôs passaram como um raio ao meu olhar, as namoradas que já tive tão importantes em minha vida, passaram como uma águia em minha visão, o companheirismo e amizade límpida do meu irmão comigo e uma mulher que não consigo tirar da cabeça. Esta última quase não passou. Acho que me deu força para ficar e enfrentar.

O próximo minuto é uma crônica sobre o imaginável, sobre o acontecimento eterno e que pode fazer um 0 ou um 100 em sua vida. Próximo minuto: ninguém sabe o que vai acontecer. Uma coisa boa, uma coisa ruim, um amor imaginável, uma tragédia. Nenhum de nós está preparado para o que vai acontecer no minuto seguinte.

Nós geralmente pensamos que em um dia que temos uma tarefa difícil, um grande “leão” a se dominar, pensamos que o pior do dia vai ser só o leão. Mas, quando menos esperamos, o leão era só um gatinho. E o gatinho passa no próximo minuto como uma flecha em nossa mente e, digo mais, passa como um momento bom em nossa vida.

Às vezes, os sonhos, como aquele amor praticamente platônico, são forças que fazem da gente mais gente. E quem sabe se no próximo minuto, depois de ter acontecido o horrível, aconteça o belo. E se no próximo minuto, o paraíso se apresentar pra gente em forma de amor. Aquele amor.

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Sonho.

sexta-feira, 10 de abril de 2009 Deixar um comentário

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Sérgio Braga por Airton Monte.

sexta-feira, 10 de abril de 2009 Deixar um comentário

Havia no Rio de Janeiro, entre os Anos 50 e 60, dois editores e livreiros que mantinham a saudável tradição de reunir, quase diariamente, em suas respectivas livrarias, a fina flor da intelectualidade e da literatura brasileira para bater um papo, trocar idéias, amostrar os novos livros que cada um ia escrevendo e, inclusive, como lhes era docemente permitido, praticar o popular esporte de falar da vida alheia, principalmente dos desafetos pessoais e intransferíveis. Aqui em Fortaleza, dois livreiros nunca deixaram a literária peteca cair: Aníbal Bonavides e o Gabriel.

Pois muito bem, bem, bem, o editor e livreiro Sérgio Braga faz jus a esta nobre linhagem. De segunda a sexta-feira, no horário comercial, o gabinete do Sérgio Braga, ao olhar dos desavisados, não passa de um gabinete comum de qualquer executivo. Aos sábados, depois do meio dia, como num passe de mágica, dá-se a poética transformação. A estante do fundo da sala tem seus gabinetes abertos e liricamente se revela o oculto conteúdo: variegados e vítreos receptáculos prontos a acolher todo tipo de bebida, da cachaça de cabeça até o mais fino champanhe.

Em plena noite de domingo, meu dia preferido, bebendo um Corvo Di Salaparutta, siciliano bálsamo, presente da ex – tia Cefisa, me surpreendo com essa tarefa tão difícil que é definir um cidadão chamado Sérgio Braga. De vasta compleição física, trata-se de um sujeito grande, que poderia estar jogando basquete ao invés de ser livreiro. É um homem grande por fora e um grande homem por dentro. Cultiva a amizade como um jardineiro que ama orquídeas cultiva orquídeas. Fidelíssimo devoto de São Francisco, boêmio de escol, dono de um bom humor à toda prova e de uma generosidade que beira ao financeiro suicídio.

Honorável fundador do nosso Clube do Bode, por nós aclamado Pai-de-Chiqueiro Mór, por absoluta unanimidade, marido sem jaça, exercendo a molecagem cearense com toda maestria. Meu amigo Sérgio Braga é uma aula de humanidade e traz em torno da cabeça uma aura lírica que a todos atrai com uma afetividade magnética. Para mim, que sou amigo dele, Sérgio Braga só possui um leve defeito: é torcedor do Ceará, mas, enfim, ninguém é perfeito, nem eu. Se há um sinônimo perfeito para a palavra amizade, chama-se Sérgio Braga. Ele pode não ser o Romário, mas é o Cara. Evoé Baco, meu querido amigo. Longa vida e prosperidade.

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