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Archive for junho, 2009

Querer Deus.

segunda-feira, 29 de junho de 2009 Deixe um comentário

A história é atribuída ao grande rabino Bal Shen Tov.

Conta-se que ele estava no topo de uma colina, com um grupo de estudantes, quando viu um grupo de cossacos atacarem a cidade e começarem a massacrar as pessoas.

Vendo muitos de seus amigos, lá embaixo, morrendo e pedindo misericórdia, o rabino exclamou:

“Ah, se eu pudesse ser Deus!”

Um discípulo, chocado, virou-se para ele:

“Mestre, como ousa proferir uma blasfêmia destas? Quer dizer que, se o senhor fosse Deus, ia agir de maneira diferente? Quer dizer que o senhor acha que Deus muitas vezes faz o que é errado?”

O rabino olhou nos olhos do discípulo, e disse:

“Deus sempre está certo. Mas se eu pudesse ser Deus, eu saberia entender o que está acontecendo”.

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Cadê os outros?

sexta-feira, 26 de junho de 2009 Deixe um comentário

Quando, geralmente, penso que faço muito para as pessoas e recebo pouco, vejo o quanto sou pobre de espírito. Fico pensativo, mas por enquanto sou humano, então tenho aprimorar esta fenda em minha alma.

Alguns de nós, em vários momentos, achamos que amamos muito uma pessoa, fazemos muito por nossos amigos, ou seja, estamos sempre como um sinal verde por 24 horas ininterruptas, fazendo de tudo para agradar ao próximo, mas, como ser humano, temos o pecado de, após fazer tudo isto, querer receber algo em troca destas pessoas. É como uma briga de gato e rato.

Para afastar esse pensamento triste que ronda minha mente e coração, penso em uma história sobre Jesus, o maior doador e o menor recebedor. São escassos meus conhecimentos sobre o Filho, pois a igreja Católica me fez o grande favor, para não escrever o contrário, de criar um pouco de repudio da religião, e seguir o Espiritismo.

Mas vamos ler a história que quero compartir com você, caro e fiel leitor:

Os apóstolos de Jesus resolveram certo dia, depois de Jesus fazer vários milagres, depois de ajudar várias pessoas, depois de simplesmente se doar e não pedir nada em troca, fazer uma “reunião” simples em que algumas pessoas pudessem agradecê-lo por ter sido uma pessoa genial, uma pessoa que com palavras e atos mudou várias vidas para melhor. O dia chegou e os apóstolos, que organizaram tudo, estavam felizes em receber apenas algumas das milhares de pessoas que Jesus ajudou e ajudava. O dia ia passando, passando e nada, nenhuma pessoa chegara, nenhuma pessoa apareceu o dia todo exceto quando os apóstolos, já tristes, iam embora e Jesus os mandou esperarem já que uma ex-prostituta estava chegando. Ela se ajoelhou e disse: “obrigado Senhor.” Jesus sabia que o dia seria assim e também Ele não necessitava de agradecimentos formais, mas os seus apóstolos queriam agradá-lo de qualquer maneira e sabendo disso Jesus deixou acontecer. Depois que a mulher foi embora, Jesus olhou para os seus apóstolos e falou com um tom fraternal: “só ela? Cadê os outros?” Os apóstolos se entreolharam e sentiram que haviam aprendido mais uma lição com o grande mestre.

Portanto, quando acharmos que estamos sendo injustiçados, lembremos Dele que tanto fez por nós e até hoje somos ingratos. Eu sou um.

Mas como ainda estou nesse mundo: os espíritos mais evoluídos que me perdoem!

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A procura.

sábado, 20 de junho de 2009 Deixe um comentário

Que força é essa que nos empurra para longe do conforto daquilo que é familiar, e nos faz enfrentar desafios, mesmo sabendo que a glória do mundo é transitória?

Creio que esse impulso se chama: a busca do sentido da vida.

Por muitos anos procurei nos livros, na arte, na ciência, nos perigosos ou confortáveis caminhos que percorri e ainda percorro, uma resposta definitiva para essa pergunta. Ainda a procuro.

Encontrei muitas. Encontro muitas.

Hoje, atualmente, amanha pode mudar, estou convencido que tal resposta jamais nos será confiada nesta experiência, embora no final, no momento em que estivermos de novo diante do Criador, compreenderemos cada oportunidade que nos foi oferecida.

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A busca.

sábado, 20 de junho de 2009 Deixe um comentário

Gosto de pensar que existe sempre no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio de um deserto ou no meio das grandes cidades.

E quando essas pessoas se cruzam, e os seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perdem qualquer importância, e só existe aquele momento e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do Sol foram escritas pela mesma Mão.

A Mão que desperta o Amor, e que fez uma alma gêmea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do Sol.

Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana. Nem para os meus. Que até agora não o encontrei.

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Psiquiatra e o medo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009 Deixe um comentário

Pois muito bem, não é que eu estava entretidamente entregue à obrigatória, estudiosa e cotidiana leitura de variadas publicações psiquiátricas espalhadas pelos sites e links da rede, quando um fato impressionante me prendeu subitamente a distraída atenção. E não era para menos, acreditem. Deparei-me com uma histórica pesquisa realizada em 1977 pela ajuizadíssima Associação Mundial de Psiquiatria em cerca de quinze países e que revelou que em cada 4 suplicantes que procuram o chamado clínico geral ou internista, no mínimo um deles padece de transtornos mentais de maior ou de menor gravidade.

Embora não seja de meu feitio muito acreditar em estatísticas, por mais confiáveis que sejam, de um certo modo ficou mais do que provado ser o desprezado alienista a última e desesperada opção da padecente clientela. E isso há muito tempo atrás, quanto mais nos tempos de hoje. Sim, pois se apela para o psiquiatra e olhe lá, quando nenhum outro esculápio dá um jeito no caso. Por essa razão, eu me pergunto quantos pacientes não andam perambulando de especialista em especialista, gastando seu precioso tempo e o rico dinheirinho em vão.

O próprio penitente, geralmente é o primeiro a reagir ferozmente à idéia de que seus males possam ter uma origem psíquica ao invés de somática. Tal atitude somente pode derivar do preconceito batido, mas ancestral, que considera a doença mental como uma espécie de fraqueza moral, uma anemia do caráter, uma personalidade pusilânime ou mais simplesmente não passando de uma simples frescura. Até os próprios médicos de outras especialidades desconfiam ser a psiquiatria uma praça esotérica, não condizente com a castiça ciência hipocrática.

O comentário geral e usual costuma dizer: só vai ao psiquiatra quem doido está. Por causa do conceito pra lá de pejorativo contido nessa frase, milhares de pessoas continuam carpindo o seu calvário rotativo pelos consultórios, sem um diagnóstico nem tratamento adequados. Isso mais pela recusa em aceitar-se como deprimido ou ansioso do que pela ignorância nosológica de certos coleguinhas. E assim permanecem em sofrimento inútil até perderem a última esperança de obter outra resposta e irem ao psiquiatra como quem vai para a UTI.

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O Mago.

terça-feira, 16 de junho de 2009 Deixe um comentário

Quando o “Alquimista”, do genial Paulo Coelho, foi oferecido aos grandes grupos editoriais da França, nenhum se interessou. Evidente que ele ficou muito triste, decepcionado, mas sua agente na época (e ainda hoje), uma jovem de 22 anos – Mônica Antunes – resolveu continuar insistindo.

Um ano inteiro se passou, até que uma pequena editora, que acabara de abrir suas portas, resolveu assinar o contrato com o tal autor brasileiro desconhecido, colocar todos os seus esforços para distribuí-lo bem – e o livro se transformaria em uma das melhores vendas de todos os tempos no mercado francês, batendo o recorde de permanência nas listas de mais vendidos do país.

Hoje, conhecendo melhor o mercado internacional, tenho certeza que se tivesse sido publicado por um destes grandes conglomerados, suas chances seriam quase nulas, já que estaria concorrendo com outros grandes e renomados autores em seus catálogos. Mas ele foi publicado por um editor iniciante, entusiasmado (no caso uma editora, Anne Carriere, que mais tarde escreveu um livro a este respeito), e isso fez toda a diferença.

Portanto, quando alguma porta se fechar para você, procure lembrar esta história.

Simplesmente genial.

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Cego, mas enxergo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009 Deixe um comentário

Algumas pessoas têm como maior medo o de, algum dia, perder a visão. Claro que, diante do “invisível”, muitos ficam amedrontados, mas não percebem que nem sempre precisamos desta incrível arma para ver o que até não precisa ser, literalmente, visto.


Um cego consegue ver mais “coisas” do que muitos que têm a visão mais que perfeita. Simplesmente, ele não precisa da visão para enxergar o amor surgindo. Ele não precisa de visão para sentir o timbre de outra voz, alterado, por algum sentimento aflorando. Ele não precisa dela para ver se gostam verdadeiramente dele. Ele não precisa. Ele simplesmente vê.


Ele não precisa dela para ver um simples toque em sua pele e sentir o verdadeiro carinho. Ele não precisa da visão para sentir as palavras verdadeiras e naturais saindo da boca de uma pessoa especial. Tudo o que ele precisa está além dos olhos. Está além de tudo que é realmente visto. Ele sente a alma do próximo. Ele vê o verdadeiro e isso é tudo. Ele pode até ver claramente até um lindo sorriso em sua direção do mais falso até o mais belo e natural.


Mas não só acontece com os cegos, que achamos, de vez em quando, pobrezinhos de plantão. Muitas que têm olhos perfeitos, também conseguem enxergar o implícito.

O pior tipo de cegueira é aquela que a gente vira um cego porque não queremos realmente ver. E desta frase podemos tirar uma lição: é sempre bom que estejamos atentos para não sermos contagiados por este tipo de cegueira para não batermos de frente com uma parede.

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O "Semeador de Estrelas".

domingo, 14 de junho de 2009 Deixe um comentário
O “Semeador de Estrelas” é uma estátua de bronze que está em Kaunas, na Lituânia.

Ela me lembrou do quanto estou sempre a falar e a pensar sob os vários angulos de uma situação, sobre a ótica de um mesmo objeto ou da vida dependendo do ângulo que a vemos.

Durante o dia pode até passar despercebida, como mostra a foto, mas quando a noite chega, a estátua justifica seu título.
Com a escuridão e no “final de tudo”, seu nome passa a fazer sentido.
Quase sempre, pensamos que algo que está acontecendo conosco parece não fazer sentido, mas, no final, tudo se justifica.
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Coração.

sábado, 13 de junho de 2009 Deixe um comentário

Um lenhador, acostumado ao trabalho árduo de derrubar árvores, terminou casando-se com uma mulher que era exatamente o seu oposto: delicada, suave, capaz de fazer lindos bordados com seus dedos gentis. Orgulhoso de sua esposa, ele passava o tempo todo na floresta, fazendo o seu trabalho, de modo que nada faltasse em casa.

Viveram juntos por muitos anos, tiveram três filhos – que cresceram, estudaram, casaram-se e foram viver em lugares distantes, como, aliás, acontece na maioria das vezes. O casal continuava na mesma cabana, mas enquanto o homem sentia-se cada vez mais forte por causa do seu trabalho, a mulher começou a definhar. Já não bordava mais, perdeu o apetite, não fazia suas caminhadas diárias, e viu desaparecer toda a alegria de sua vida. Seu estado de saúde agravou-se de tal maneira, que já não se levantava mais da cama.

O marido já não sabia o que fazer. Uma noite, quando uma febre alta fez com que o rosto de sua esposa ficasse de uma palidez quase mortal, ele tocou com suas mãos fortes os dedos delicados da mulher, e começou a chorar:

- Não me deixe – dizia, soluçando.

A mulher teve forças para dizer, no meio dos delírios provocados pela febre:

- Mas por que você chora?

- Por que eu preciso de você!

O brilho nos olhos da mulher pareceu retornar:

- E só agora está me dizendo isso? Eu achei que, quando nossos filhos cresceram e partiram, minha vida perdeu o sentido. Você sempre foi tão independente!

- Eu tinha vergonha de demonstrar meus sentimentos – disse o lenhador. – Sempre achei que não merecia tudo o que fez por mim.

A partir deste dia, a mulher voltou a recuperar sua saúde, recomeçou a andar na floresta e a fazer seus bordados. Sua vida voltara a ter sentido porque alguém precisava dela. Alguém era capaz de receber a melhor coisa que podia dar: o seu coração.

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Telefonemas.

sexta-feira, 12 de junho de 2009 Deixe um comentário

Não posso negar que, em verdade, sou um sujeito de sorte. Quase todos os dias recebo, inevitavelmente, um telefonema de um amigo, dos vários que possuem esse hábito, só para saber como estou, como vou passando e como vai a minha vida. Um deles é o Igor Ary, além do Ronaldo Moura Filho, Suyanne Nogueira e Lara Biermann. Tal gesto de amizade, tal demonstração de querer bem, me enche a alma e o coração de alegria, me eleva o ânimo e me dá a solidária sensação de que não estou sozinho no mundo, abandonado na vida feito um Robinson Crusoé sem Sexta-Feira.

Para mim não há nada mais gratificante do que ouvir uma voz amiga dentro da noite veloz, trazendo-me alegria e um conforto espiritual que não tem preço. Claro que também telefono para eles e batemos um papo telefônico que, por mais breve que seja, já me é de grande valia emocional e afetiva. Em tempos em que cada ser humano tende a se tornar uma ilha, se isolando do convívio com o outro por vontade própria, virando uma ostra ao construir sua particular realidade virtual, eu e meus amigos caminhamos juntos na direção oposta. No que fazemos muito bem.

E não é somente via telefone que mantemos contato. Pelo menos uma vez por semana, nos encontramos em algum lugar para comer, beber e conversar. E sem a menor sombra de dúvida, desses encontros todos saímos mais humanizados e mais amigos. Seguimos ao pé da letra o sábio conselho do poeta Vinícius de Moraes de que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Creio firmemente que o homem não foi feito para ser uma pobre criatura solitária tal e qual um feroz ermitão. Eu gosto da companhia fraternal das pessoas, do convívio pessoal.

Sim, por vezes necessitamos de um pouco de solidão eventual, consentida, desejada para podermos pensar sobre os rumos de nossa vida. Jamais suportaria uma solidão forçada, destituída, desprovida de qualquer outra opção existencial. Por isso, em muito prezo a atenção carinhosa que os amigos me dedicam generosamente. Algumas vezes nos desentendemos, discutimos, brigamos entre aspas. Não demora muito e logo surge um pedido de desculpas sincero e tudo volta a ser como dantes no Quartel de Abrantes de nossa inabalável amizade.

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