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Psiquiatra e o medo.

Quarta-feira, 17 de junho de 2009 Deixar um comentário Ir para os comentários

Pois muito bem, não é que eu estava entretidamente entregue à obrigatória, estudiosa e cotidiana leitura de variadas publicações psiquiátricas espalhadas pelos sites e links da rede, quando um fato impressionante me prendeu subitamente a distraída atenção. E não era para menos, acreditem. Deparei-me com uma histórica pesquisa realizada em 1977 pela ajuizadíssima Associação Mundial de Psiquiatria em cerca de quinze países e que revelou que em cada 4 suplicantes que procuram o chamado clínico geral ou internista, no mínimo um deles padece de transtornos mentais de maior ou de menor gravidade.

Embora não seja de meu feitio muito acreditar em estatísticas, por mais confiáveis que sejam, de um certo modo ficou mais do que provado ser o desprezado alienista a última e desesperada opção da padecente clientela. E isso há muito tempo atrás, quanto mais nos tempos de hoje. Sim, pois se apela para o psiquiatra e olhe lá, quando nenhum outro esculápio dá um jeito no caso. Por essa razão, eu me pergunto quantos pacientes não andam perambulando de especialista em especialista, gastando seu precioso tempo e o rico dinheirinho em vão.

O próprio penitente, geralmente é o primeiro a reagir ferozmente à idéia de que seus males possam ter uma origem psíquica ao invés de somática. Tal atitude somente pode derivar do preconceito batido, mas ancestral, que considera a doença mental como uma espécie de fraqueza moral, uma anemia do caráter, uma personalidade pusilânime ou mais simplesmente não passando de uma simples frescura. Até os próprios médicos de outras especialidades desconfiam ser a psiquiatria uma praça esotérica, não condizente com a castiça ciência hipocrática.

O comentário geral e usual costuma dizer: só vai ao psiquiatra quem doido está. Por causa do conceito pra lá de pejorativo contido nessa frase, milhares de pessoas continuam carpindo o seu calvário rotativo pelos consultórios, sem um diagnóstico nem tratamento adequados. Isso mais pela recusa em aceitar-se como deprimido ou ansioso do que pela ignorância nosológica de certos coleguinhas. E assim permanecem em sofrimento inútil até perderem a última esperança de obter outra resposta e irem ao psiquiatra como quem vai para a UTI.

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