Salários e políticos.
Em suma, um texto belíssimo da colunista, da Época, Ruth de Aquino em que eu coloco alguns trechos da triste verdade.
“É comovente ver como as bancadas do governo e da oposição no Congresso se unem quando o assunto é salário. O Congresso acaba de aprovar por unanimidade 9% de aumento para o Judiciário – o que eleva a R$ 26.700 o salário dos ministros do Supremo. Imediatamente, senadores exigiram equiparação.
“Eu só queria um salário digno, que é o salário que ganha o Ministério Público e o Supremo”, disse o senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Então, os senadores precisam de 9% de aumento para se vestir direitinho. Eles não contam a verba indenizatória extra, usada para encher o tanque do carro, morar de graça, alugar escritório e se alimentar com ou sem convidados. Eles querem aumento.
E, para os senadores, deputados e desembargadores, querer é poder. Porque quem decide quanto vão ganhar são eles próprios ou seus pares, numa combinação que nada tem a ver com as bases. Não importa que o aumento deles seja muito maior que os aumentos salariais do “homem comum”.
O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, não gostou muito. Queria 14%, e não 9%. Votar em benefício próprio é uma atitude imoral ou antiética? Quando políticos ignoram o ponto de vista dos que os elegeram, transgridem moral e ética ao mesmo tempo. Mesmo que a lei os ampare, eles deveriam alterar a lei para não agir sem levar em conta o que é moralmente aceitável pela população, favorecendo a si mesmos. Simplificando: é como se nós, você e eu, não existíssemos.
Numa democracia, políticos não existem sem o eleitor. A ética da política pressupõe o respeito ao bem comum.
O aumento dos salários do Judiciário ocorreu um dia depois de serem criadas mais 7.709 vagas de vereadores no Brasil, em votação na Câmara. Teremos quase 60 mil vereadores. Para quê? Alguém consultou a sociedade? O que fará esse novo exército de vereadores? O resultado foi aplaudido com muita emoção.
Quem serão os verdadeiros inimigos das instituições representativas?
Não deveria ser quem contraria a moral, a ética e os bons costumes?”










